quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

queixa.

 


o  pessegueiro fantasma

em holograma

não tem rosto

preso nas carnes da parede

a dois passos do sofá

a ovelha no fim do corredor


ruídos daquelas flores que perplexam

em único giro

completo a sala rodopia

tão rápido

quem fechariam as janelas


e essa corda de piano tesa que quer cortar tudo pelo meio

sem sujeira

o chão é de espelhos

para que alguns caiam em sí

almas nuas

correm decapitadas

no sonho dos dormitórios

sem noite


pisoteiam borboletas mortas  pardas

perseguem serpentes cosméticas

no adro verde ralo

a ronda estala a crepitar folhas de vidro

atrás do último portão


rosto frio

sob as patas cruas de dois cães insones

gueixas queixas  oscilam em microondas

trovões dentro dos livros

uma nuvem de cabelos flutuam sobre a mesinha de centro


como se respirar fosse fácil

chovem lágrimas de pássaros

nas xícaras inodoras

de padronagens red blue white


a palavra mais importante da minha língua e não da sua têm apenas uma única letra: É



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