Não sei se a Terra já é toda um não lugar.
Estamos no mundo com referências totalmente artificiais, mesmo em quarentena em nossas casas, o espaço mais possível. Estamos em um lugar não permanente conosco: "on line versus off line"
PESSOAS INVÍSIVEIS - LUGARES DESPREZADOS...
"EU QUE ANTES DE COMER VIA O CÉU, AS ÁRVORES, AS AVES, TUDO AMARELO.
DEPOIS QUE COMI, TUDO NORMALIZOU- SE AOS MEUS OLHOS"
O câncer da classe média e/ ou daqueles que nasceram privilegiadxs desdobra- se em se meter nas dores alheias das "homas pobras": ERA FOME.
o pessegueiro fantasma
em holograma
não tem rosto
preso nas carnes da parede
a dois passos do sofá
a ovelha no fim do corredor
ruídos daquelas flores que perplexam
em único giro
completo a sala rodopia
tão rápido
quem fechariam as janelas
e essa corda de piano tesa que quer cortar tudo pelo meio
sem sujeira
o chão é de espelhos
para que alguns caiam em sí
almas nuas
correm decapitadas
no sonho dos dormitórios
sem noite
pisoteiam borboletas mortas pardas
perseguem serpentes cosméticas
no adro verde ralo
a ronda estala a crepitar folhas de vidro
atrás do último portão
rosto frio
sob as patas cruas de dois cães insones
gueixas queixas oscilam em microondas
trovões dentro dos livros
uma nuvem de cabelos flutuam sobre a mesinha de centro
como se respirar fosse fácil
chovem lágrimas de pássaros
nas xícaras inodoras
de padronagens red blue white
a palavra mais importante da minha língua e não da sua têm apenas uma única letra: É
NA GLANDE DO RAIO
GRUNHINDO BAIXINHO
ENTRO PASSARINHO
POUSO NA HÓSTIA
QUE GASTURA SONDA
DE AÇO QUENTE
VIA URETRA
ABRO AS VENETAS
DAS ASAS
QUASE AJOELHO
LEVE E FINO
SUAS ORELHAS
TREME TODYNHO
COM SEUS PENTELHOS
NÃO OS PENTEIO
FLUTUO PLUMO
UM CENTELHO
ABCESSO
DÁ-ME GASTURA
SERRAR SEUS JOELHOS
E AS PRETAS PINTAS
DOS BICOS DOSEIXOS
OLHINHO VERMELHO
ARISCO
VOLTO
FUJO
DISSIMULADO
LIGEIRO!